Os dados mais recentes da segurança pública em Santa Catarina trazem uma mensagem clara: quando convergimos esforços entre Estado, municípios e sociedade civil, os resultados aparecem e beneficiam diretamente as famílias catarinenses. Em 2025, Santa Catarina alcançou níveis históricos de redução de crimes, consolidando-se como um dos estados mais seguros do Brasil.
Segundo os levantamentos oficiais, diversas modalidades criminais registraram quedas significativas, como homicídios, roubos e furtos, reflexo de práticas integradas e de políticas públicas que valorizam tanto a prevenção quanto a repressão qualificada.
Um olhar realista: os desafios que insistem em bater na porta.
Mesmo com avanços, há quatro frentes que exigem atenção permanente:
1) Crime migrando para o digital: Fraudes, golpes e estelionatos em ambiente virtual crescem e afetam sobretudo idosos e pequenos empreendedores. O Brasil inteiro vive esse deslocamento do ''crime do asfalto'' para o ''crime do celular''. O ponto aqui é simples: investigação e prevenção precisam acompanhar a tecnologia, com educação digital, cooperação com bancos/operadoras e inteligência cibernética.
2) Pressão do crime organizado e rotas do tráfico: Santa Catarina é estado de trabalho, logística e circulação. Isso é força econômica, mas também vira desafio: rotas, portos, fronteiras e conexões regionais exigem vigilância qualificada e integração interestadual.
3) Segurança como responsabilidade também municipal: E aqui entra um princípio que defendo há anos: municipalismo não é discurso; é método de governo. O município é onde a vida acontece. Iluminação pública, ocupação urbana, fluxo escolar, atenção a dependência química, acolhimento social, ordenamento do espaço, guarda municipal quando houver, câmeras com regras claras, prevenção com juventude: tudo isso mexe diretamente no ambiente do crime.
O Estado precisa liderar, mas o município precisa estar no jogo com planejamento e metas. Quando o território se organiza, o crime perde oportunidade.
4) Violência contra a mulher: a urgência que não admite relativização:
Esse é o ponto em que melhorar estatística não consola ninguém. Violência doméstica não começa com tapa; muitas vezes começa com controle, humilhação, isolamento, ameaça e dependência financeira.
E o Brasil segue convivendo com um cenário grave: pesquisas mostram a dimensão cotidiana da violência contra meninas e mulheres e o quanto ela é vista, ouvida e, infelizmente, muitas vezes silenciada. (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
Segurança pública é política de Estado, não de ocasião
Na minha trajetória como advogado e professor de Direito, e na vivência prática da gestão pública e do municipalismo, aprendi uma lição dura: segurança não se sustenta com improviso. Ela precisa de continuidade, orçamento inteligente, metas, avaliação e transparência. E precisa de coragem para fazer o óbvio bem feito, com método.
Alguns compromissos que considero inegociáveis para Santa Catarina continuar avançando:
- Concurso, reposição e presença territorial: efetivo adequado é condição mínima para prevenção e resposta.
- Inteligência e integração de dados: crime se combate com informação qualificada e cooperação entre instituições.
- Prevenção com foco em juventude: escola em tempo ampliado onde for necessário, esporte, cultura, formação profissional e proteção social.
- Gestão municipal como parte da estratégia: segurança também se faz com cidade bem cuidada, iluminada, com fluxo organizado e rede social funcionando.
- Policiamento baseado em evidências: ampliar o que funciona (hot spots, orientação por problemas) e parar de insistir em ações que só ''parecem'' fortes.
O compromisso mais enfático: proteger mulheres, interromper agressores, reconstruir vidas
Aqui, minha opinião é objetiva: a lei precisa estar do lado da vítima, não do agressor.
Santa Catarina deu um passo importante ao convocar homens para a responsabilidade com a campanha ''Seja homem. Denuncie'', reforçando que violência contra a mulher não é ''problema de casal'': é crime, é covardia, e precisa ser interrompida com rede, denúncia e ação rápida. As denúncias podem ser feitas pelo 190 e também pelo 181 (disque denúncia).
Além da conscientização, há um eixo que precisa avançar com força: proteção concreta, em tempo real, para impedir a aproximação do agressor. O monitoramento eletrônico já é uma ferramenta relevante: quando o agressor entra em área de exclusão, o sistema pode emitir alerta e acionar a Polícia Militar para proteger a vítima. E programas como a Rede Catarina reforçam a lógica de proteção com proximidade, policiamento direcionado e soluções tecnológicas.
Só que segurança, nesse tema, não pode parar no impedir a aproximação. Ela precisa romper o ciclo. E aqui entram duas frentes que eu faço questão de defender no debate público:
Tornozeleira integrada e resposta rápida: Medida protetiva não pode ser papel. Ela precisa de tecnologia, protocolo e prioridade operacional, com integração entre sistema de monitoramento e rede de proteção.
Independência financeira como proteção: Muitas mulheres permanecem no risco por dependência econômica. Por isso, defender linhas de crédito e instrumentos reais de autonomia não é 'pauta econômica'; é política de proteção. Santa Catarina já tem caminhos que podem ser ampliados e articulados:
- No BADESC, o Pronampe Mulher prevê subsídio de 100% dos juros remuneratórios, dentro das regras do programa. E há políticas estaduais de microcrédito com lógica de incentivo ao empreendedorismo.
- No BRDE, existem iniciativas voltadas a negócios liderados por mulheres, como o programa Empreendedoras do Sul e modalidades que favorecem empresas com composição societária feminina. Crédito com orientação, capacitação e rede de apoio pode ser a ponte entre 'sobreviver' e 'recomeçar'. E recomeço, nesse tema, é literalmente proteção de vida.
Conclusão
Santa Catarina tem méritos reais na segurança pública e deve, sim, reconhecer o trabalho sério das forças de segurança e de toda a rede que protege a sociedade. Mas o próximo passo exige maturidade: manter o que funciona, corrigir o que falha e encarar o que ainda dói.
Se eu tivesse que resumir em uma frase, seria esta: segurança pública é a forma mais concreta de o Estado dizer ao cidadão: ''eu estou aqui, eu te protejo''.
E, quando falamos de violência contra a mulher, essa frase precisa virar prática diária: denúncia, resposta rápida, monitoramento efetivo e autonomia para que nenhuma mulher fique refém do medo ou da dependência.
Aos homens, a convocação é direta e necessária, como a campanha lembra: seja homem. Denuncie.